domingo, 4 de março de 2012

cap3 - Apenas a solidão

Sim aquilo fora um adeus, um doce e cruel adeus, e dentro do meu peito so restou o vazio de não saber por onde recomeçar, de não saber como esquecer aquele ser que tinha levado tudo de mim.
Voltei para casa, minha mãe estava no quarto, estava doente novamente, lhe disse um oi vazio, e fui deitar em minha cama, fechava os olhos, e era seus olhos que via, passava as mãos em meus corpo, e sentia como se fossem suas mãos, eu estava totalmente entregue a ele e ja não teria mais volta, não conseguia mais dormir sem sentir seu cheiro, nem comer, nem estudar, apenas olhava para a janela esperando que de alguma forma ele sentisse aquilo que eu estava sentindo, e que pelo menos a pena o trouxesse de volta.
Mas os dias se tornaram meses, e meu sofrimento so aumentava, começei a ter alucinações, sempre que saia na rua sentia como se alguem estivesse me seguindo, perceguia essa alucinação ate o cemiterio, e chegando lá me dava conta que era apenas minha imaginação.
Minha vida havia perdido o sentido, todos que me conheciam ja não me reconheciam, havia perdido o sorriso, a empolgação, me sentia como uma morta viva, sem saber para onde ir, ou como esquece-lo, nem os homens não me admiravam como antes, eu havia secado como um galho, e desse jeito permaneceria para sempre.
Minha mãe acreditava que algum homem tinha me atacado, e abusado de mim, e que tentava sem sucesso tirar alguma confissão do que havia me transformado naquilo, mas nada nem ninguem faria contar o que havia vivido.
Depois de oito meses, parei de falar, as palavras simplesmente não saiam mais de minha boca, ficava em casa sempre por que não queria ser vista por ninguem e com a janela sempre aberta, ainda sonhava que ele voltaria, que não suportaria a saudade, mas nada, nem um sinal...
Um ano se passou, e meu coração seco tentava não pensar em nada, apenas me alimentava o suficiente para sobreviver, mas em minha mente tudo o que vinha era acabar com aquele vazio.
Nas noites de lua cheia, meu peito doia tanto eu tinha pesadelos que me faziam gritar e chorar, e no outro dia estava pessima, caminhava de um lado para outro tentando encontrar um jeito de esquecer, simplesmente esquecer, mas nada o tirava de meu coração, foi entao que decidi morrer.
A dor não passaria de qualquer jeito, por que somente sua presença meu faria sorrir novamente, então preferia morrer do que viver uma existencia sem amor.Preparei tudo para a proxima noite de lua cheia, seria na casa do cemiterio, onde nos amamos, cheguei cedo por volta das 19h, observei tudo ao redor com carinho, e relembrei cada minuto ao seu lado, arrumei uma corda, pendurei cuidadosamente, tive vontade de chorar, me olhei no espelho e sentei a escrever uma carta para minha mãe,para que ela entendesse que viver infeliz é pior do que morrer, chorrei contando a ela de minha paixão, e que fazia aquilo por não ter mais forças de aguentar acordar todos os dias com aquele sofrimento.
Deixei a carta na mesa e me preparei para em fim ficar livre da dor, senti um frio estranho e confortavel ao mesmo tempo, coloquei a corda no pescoço e pulei, o frio inundou meu corpo, e braços me seguravam, só poderia ser ele.
Desmaiei, e assim que recuperei os sentidos estava nos braços do homem que amava,e ele estava em panico, como se não pudesse me soltar mais daquele abraço.
- Eu quase leh perdi para sempre, por que você ia fazer aquilo, nada vale mais que sua vida.
- Eu sabia que você voltaria a tempo.