terça-feira, 29 de novembro de 2011

cap 2 - Uma nova vida que começa

Eu o amava, disso não podia ter duvidas, e aquele sentimento era tão forte que minha cabeça chegava a doer ao pensar em seus olhos.
depois fizemos amor no rio, ele me levou a sua casa, para que pudesse me secar, mas não parecia feliz, tinha uma angustia nos olhos, como se nada daquilo tivesse tocado seu coração. Mas que coração afinal, eu constantemente esquecia que ele estava morto, e que naquele peito gelado não se houvia nada a não ser um eco de sua própria respiração, ele era como um galho seco, que o fogo devora.
Eu queimei, queimei junto com ele nessa fogueira o resto da noite, ele não queria que eu o tocasse, mas eu sabia que o que estava sentindo era medo, e que por mais que mentisse pra mim, ele tinha desejos humanos, e ele sabia ser doce e sedutor, na medida certa.
- Eu te amo- Eu disse olhando em seus olhos que brilhavam como lantejoulas azuis-
- Você não sabe o que esta dizendo, você não pode me amar, eu vou lhe fazer mau.Va embora, eu ja me envolvi demais, vou embora da cidade.
Meu peito doe, mais do qualquer dor fisica que ja havia sentido, foi como se ele arranca-se de dentro de mim meu coração.
-Não, você não pode ir, não pode me deixar aqui, com todos esses pensamentos que lhe dizem respeito, eu sei que você não quer embora, então não precisa ir, não me fara mau, eu sou responsavel por meus atos e se você for eu irei com você.
- Como você ira, sem ao menos saberá onde estarei, eu vou lhe fazer mau, e você tem uma vida inteira pela frente, não pode ficar sofrendo por um monstro como eu, tem apenas 17 anos e eu uma eternidade pela frente...
- 18.É meu aniversario hoje.
Ele parou de falar, parece que algo em fim havia entrado em seu coração gelado, e ele me deu um abraço.
- Eu não quero lhe fazer mau minha pequena, você é a unica em anos que conhece como sou de verdade e não tem medo de mim.
-Entao não me deixe sozinha.
Nos beijamos novamente e ele me olhava como se soubesse o que aconteceria, ou se adivinhasse meu futuro, um futuro que me trouxe até aqui, um futuro que ele causou.
Dormimos juntos aquela noite, ao acordar ele não estava mais ali, e havia um bilhete.
"vou pensar em você pela eternidade, viva minha pequena, viva"
Naquele momento eu sabia que era um adeus, e o inicio do meu fim.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

cap 1 - Primeira noite de lua cheia

Quando acordei, estava num pequeno cômodo, sujo, mal cuidado, onde havia uma cama, uma mesa, e a janela trancada, consegui sentar-me com dificuldade e tentei ver pelas frestas da janela que estava próxima a minha casa, pois via-se o cemitério todo dali. Quando me virei tomei um susto enorme, ele estava na minha frente, e parecia tão surpreso ao ver me em pé.
-Você esta bem? – ele perguntou me olhando bem de perto- Desculpe eu não quis te machucar, você tem que ir embora, eu não posso ficar aqui com você, sua presença me faz mal- ele tocava meus cabelos-
- O que aconteceu? O que você fez?- eu apalpei meu pescoço que estava dolorido, procurei um espelho, ou algo que eu pudesse me ver, nas ali não havia nada- Me diga o que você fez comigo?
-Você precisa ir embora, já esta de noite, devem estar te procurando- ele abriu a porta do quarto e sentou-se numa pequena cozinha, onde não havia fogão, nem geladeira, nada, apenas uma mesa e cadeiras –
- Você mora aqui?- perguntei observando o lugar- Eu não irei embora enquanto não me contar o que esta acontecendo.
- Sera que você é louca?-ele me puxou com força- Não esta percebendo, não sente medo?Não lembra o que aconteceu ontem a noite?
-Eu dormi o dia todo?
-Sim, pensei que não fosse mais acordar, seu pulso estava fraco e tranquei-a aqui para ficar longe de você
-Longe de mim, o que você esta dizendo??-segurei-o pelo braço-
-Longe do seu sangue, longe do seu pescoço, longe da sua boca.
-Mas afinal do que esta falando, você, por acaso você é um vampiro?- sentei-me na cadeira assustada –
-Chame do jeito que quiser, demônio, assassino, chupa sangue, vampiro, ao contrario de outros por aí eu não me orgulho disso não, não busco seduzir mocinhas para mata-las não, não pense assim, eu não escolhi esse destino, mas não consegui deixar de pensar em você desde a primeira vez que a vi.
-Você me salvou aquela noite, não pode ser um monstro.
- a primeira vez que te vi, você deveria ter uns 6 anos de idade, foi quando me mudei para cá, eu já tinha 20 anos de morte, e estava me acostumando a beber sangue de animais, no dia em que cheguei na cidade, vi uma menina loira, olhos doces e inocentes correndo pelo cemitério, me aproximei, eu estava faminto por causa da viagem, e não encontrara nenhum tipo de animal nas redondezas, me aproximei de você desejando seu sangue, então você virou para mim e me estendeu a mão, me convidando para brincar, senti algo estranho, diferente de tudo que já havia sentido por um humano...
-Pena? Você não quis me matar?
-Não era apenas pena, era algo diferente, um brilho em seus olhos, uma aceitação, eu não compreendia na época, mas não consegui machucá-la, pedi para que você fosse embora, mas a partir daquele dia, não consegui esquece-la, você virou a menina dos meus olhos, eu te assisti crescer cada dia mais linda e com aquele mesmo olhar...esse olhar...
Ele se aproximou de mim com aquele seu jeito sedutor e tocou nos meus olhos com carinho, eu sorri, não conseguia não me envolver naquele toque, ele me puxava contra ele como se por séculos não tivesse recebido um abraço.
- mas não posso me aproximar de você, eu te machuquei, eu te mordi, sei o delicioso gosto do seu sangue, e não posso mais te beijar, não posso mais ficar nessa cidade.Você tem que ir para casa.
- Eu não quero ir, em 17 anos eu sempre esperei por viver algo assim, e agora você me manda embora, você não compreende eu não vou conseguir te esquecer, não se encontra um vampiro por ai todo dia.
- Você só pode estar brincando, acha que é brincadeira, acha que sou bonito e sedutor,você não percebe que estou morto, só tenho uma carne morta e sede de sangue, isso é só pele e você tem uma vida inteira pela frente, você é tão linda.
Ele se sentou no canto da sala e ficou ali olhando fixo para mim, eu nada disse por que não sabia mais o que falar, não sabia como lidar com aquela situação, me aproximei dele e sentei ao seu lado sem nenhuma palavra, peguei sua mão gélida, e segurei com firmeza.ficamos assim um tempo, nos olhando.
- O que aconteceu ontem a noite?- perguntei-
- Eu não suportei e te mordi, e ainda não sei como consegui parar, por que quando sentimos o gosto do sangue de um humano ou animal é quase impossível parar, causa um frenesi incontrolável, mas quando te olhei desfalecendo, consegui suportar, achei que fosse tarde de mais que você não ia acordar...
-Mas eu acordei, e você não me fez mal, não tem que se culpar por nada, você mora aqui?
-Bom, esse lugar não é bem o que gostaria de chamar de casa, na verdade eu já fui um homem muito rico, mas a população desconfiava que havia um demônio na cidade matando seus animais, um dia alguém me viu saindo de um seleiro e colocaram fogo na minha mansão, destruíram tudo o que eu tinha.
-E como era antes de ser um vampiro?
-Eu era um homem simples, tinha 22 anos quando fui transformado, minha noiva morreu de doença desconhecida, e eu fiquei sem saber o que fazer de minha vida, então saia cavalgar todos os dias, era a única coisa que me deixa vivo, certo dia meu cavalo assustou-se com algo e parou, quando fui ver o que era, vi um homem abaixado comendo algo de costas, perguntei se ele estava bem, ele virou para mim com a boca cheia de sangue, estava sugando uma criança, eu gritei e tentei fugir, mas ele voou sobre mim, e me mordeu, naquele momento meu pai e alguns empregados bateram nele, ele assustado fugiu, e eu fiquei ali agonizando de dor, fui levado para casa, passei dias sem comer e sem beber nada, ninguém entendia o que estava acontecendo, e nem eu, ele não tinha me mordido o suficiente para me matar, mas o suficiente para transformar-me.
-O que você fez, como soube que era um vampiro?
-Quando comecei a matar, acordei numa noite, e me sentia forte, o mal estar havia passado e só sentia fome muita fome, em minha cabeça ficavam passando cenas de morte, cenas de sangue jorrando, e aquilo era prazeroso, eu sem pensar sabia que minha sede era por sangue, eu estava incontrolável, meu pai levantou para saber se eu estava bem...
Ele parou de falar por alguns segundos, meu coração já disparava.
-...eu matei todos eles, meu pai, meu irmão, minha mãe e alguns empregados, o resto que sobreviveu chamou toda a população e destruíram tudo e me mandaram embora, tentaram me matar, mas nada aconteceu, então eu fugi, e venho fugindo de cidade em cidade durante esses 30 anos de morto, e sei que isso não terá fim, por que se passaram apenas 30 anos e o peso da eternidade já vem amedrontar-me, mas eu não escolhi isso, você entende?
- sim eu entendo, você não é um monstro.
-Não se aproxime, tenho fome, você precisa ir embora, preciso ir atrás de sangue
Ele levantou abriu a porta e foi me empurrando para fora.
- Va, va de uma vez, não seja boba menina você tem a vida inteira pela frente.
-Eu vou, mas você me vera sempre, por que não quero te esquecer
-Vá, de uma vez.
Ele mostrou as presas como um animal tentando me assustar, atravessei o cemitério sozinha, mas tendo a certeza que ele me observava, cheguei em casa, estavam todos preocupados, não sabia o que contar inventei uma historia estranha, que ninguém acreditou, minha mãe imaginou que eu estivesse com um homem, meu noivo também, tanto melhor, ele terminou o noivado, e eu fiquei livre pra lutar por aquele amor tão misterioso e envolvente, e nem ao menos sabia o seu nome, mas eu sabia o que importava: que ele gostava de mim.
A partir daquele dia minha vida mudou completamente, os dias que se passaram foram estranhos, um vazio enorme doía em meu peito, era como se estivesse sufocando por dentro, quando dormia minha cabeça doía muito e via seus olhos em todos os lugares, estive a pensar quem sabe que sua mordida estivesse me transformando, mas achava isso improvável por que dias já haviam se passado, e eu estava relativamente bem, somente nas noites que minha cabeça doía, e eu tinha visões estranhas, como se fossem sonhos, eu o via caminhando nas ruas, bebendo sangue de animais, parecia tão real, como se tivesse uma estranha ligação entre nós.
Fui algumas vezes ate a casa perto do cemitério, mas ele não estava lá, ou escondia-se de mim, diversas vezes me sentar a chorar na porta, de saudades, definitivamente eu estava apaixonada por aquele ser misterioso e de alguma forma confiava nele mesmo quando não deveria confiar.
E eu não sabia nem seu nome, não poderia nem chama-lo, nem gritar para que voltasse, e aquela dor começava a me matar por dentro, todos que me conheciam temiam por minha saúde, eu estava pálida, sem fome, e triste, passav a maior parte do tempo sentada perto do cemitério, algumas vizinhas acreditavam que algum demônio estivesse roubando meu corpo, mas nem desconfiavam que sim, um demônio havia roubado minha alma.
Um mês havia se passado e ele não voltara a me procurar, comecei então na pensar em formas de o trazer de volta, quem sabe correndo perigo ele me salvaria?
E eu tinha razão, numa noite de lua cheia sai de casa pela janela, tirei a roupa na ponte sobre o rio e pulei, era um rio profundo com correnteza forte, eu poderia ter morrido, mas tinha certeza que ele estaria ali, ele me puxou para a margem, eu estava consciente, sorri, ele me abraçou, e olhou meu corpo nu.
- Você é louca?Poderia ter morrido!- ele tirou o casaco para tapar-me-
-Eu sabia que você me salvaria, porque desapareceu, estive te procurando todos os dias, tenho sonhos estranhos todas as noites, eu não consigo ficar sem você, não vou deixar que suma novamente.- tirei o casaco e tentei beija-lo-
-Você esta brincando, é apenas uma menina, não faça isso, não sabe o que esta fazendo! – ele estava tentando me evitar-
- Claro que sei, e não sou mais uma criança, vocês não...namoram?
-Há anos que não toco o corpo de uma mulher nua, é claro que temos desejo, é claro que te desejo, mas e se minha vontade de sangue for maior eu posso mata-la, você é virgem?
-Sim
- Então é impossível, eu sentiria teu cheiro de sangue e te mataria
-Mas você disse que não tem certeza, por que não podemos tentar?-tentei novamente beija-lo-
-gosto disso em você, você tem coragem-
Ele me beijou, foi me tocando devagar, quando não agüentava, se afastava e se acalmava, entramos na água, por que seria melhor, ele sentiria menos o meu cheiro, e nos amamos como dois animais, eu era totalmente dele naquele momento, e ele era meu, e me passava anos e anos de desejo, pois desde que era humano nunca mais havia tocado em uma mulher, e eu queria ser a primeira e a ultima de sua existência.
Foi tudo incrível, seus beijos, seus abraços, sua força, e aquele desejo por meu corpo, aquele seu olhar, eu estava amando. Eu o amava.
E agora?

NOITE DE LUA CHEIA, NOITE DOS MORTOS

Eu sempre gostei de admirar a lua, quando esta cheia, sua luz suave e misteriosa, a mesma luz que revelou seu rosto no dia em que o conheci.
Mas essa é um historia de mortos, primeiro ele, depois ela e..
Não me arrependo de nada, mas não gosto de contar essa história, mas no lugar em que estou não me resta mais nada a não ser uma historia para contar.
Fazem 30 anos aproximadamente que minha vida tomou um rumo completamente inesperado.
Eu tinha 17 anos, era uma moça loira, atraente, e com um ar de inocente que encantava qualquer homem, minha mãe uma carinhosa senhora sempre se preocupava com minha honra e com o perigoso fato de sua filha ser tão bonita. Muitas vezes homens vinham espiar pelas janelas da casa, ou deixavam folhes na porta e convites para sair, mas nada, nenhum deles me atraia, não possuía nenhum interesse por nenhum tipo de homem que viesse a minha porta, minha mãe já preocupada queria arrumar-me um casamento. “assim estará protegida”, como ela mesma dizia, eu não havia gostado da idéia, mas infelizmente coisas estranhas estavam acontecendo pelo bairro, mortes estranhas, desaparecimentos, e muitas pessoas adoeciam de doenças misteriosas, casando-me iria morar longe daquele lugar e levar minha mãe comigo.
Depois de muitas propostas, em fim minha mãe escolheu um rapaz, um moço de boa família, trabalhador, que prometeu que cuidaria de mim e dela bem longe dali, ele era educado, um moço bom como todos diziam, mas eu olhava em seus olhos e não via nada, não conseguia sentir nem ao menos gratidão, por que diferente de minha mãe eu gostava daquele lugar, foi ali que cresci ouvindo historias assustadoras de seres da escuridão que dominavam aquela cidade há séculos atrás, que sugavam sangue e roubavam almas, eu achava aquilo facinante, sempre me atraiu ocultismo, e fatos misteriosos, parecia que isso era a única coisa que me fazia sentir um pouco de empolgação ou alegria, ate conhece-lo...
Era uma noite de lua cheia, eu estava na casa de dona Matilde, uma velha senhora que morava na esquina de minha casa, era uma rua escura com poucas casas, minha mãe havia passado mal e tive de leva-la ate lá, por que morávamos somente as duas e eu não tinha conhecimento do que fazer numa situação daquelas, mas dona Matilde tinha a sabedoria da vida e das ervas, preparou um chá e deixou que ela descansa-se la mesmo em sua casa, ela queria que eu ficasse na casa, mas seu neto, Antonio não me agradava, por que varias vezes tentara me beijar a força na escola, e me olhava de um jeito perigoso, decidi que era melhor ir para casa sozinha do que ficar ali com ele.
Já passava da meia noite e a rua estava mais escura do que o normal, apertei o passo, mas escutava um som de passos muito próximo de mim, meu coração disparou, eu queria correr mas estava paralisada de medo, tentava me acalmar pensando que era Antonio que me seguira a pedido da vó, mas nada fazia parar aquele som, olhei para trás, e não havia ninguém apenas a lua me guiando, voltei a caminhar, e os passos voltaram, olhei novamente e tinha a certeza que vi algo se mexendo muito rápido na escuridão, comecei a correr, e chegando na porta de casa, percebi que havia esquecido a chave, nesse instante eu já estava desesperada de medo, por que havia algo ou alguém me seguindo, e eu não tinha como abrir a porta, estava encurralada em minha própria casa, e aqueles sons continuavam a me seguir de todos os lados, a única alternativa possível seria escalar a lateral da casa para entrar pela janela do meu quarto, e foi isso que tentei fazer, mas estava tão apavorada que minhas mãos suavam frio, e meu corpo tremia todo, escorreguei, quando estava quase no segundo andar, senti então mãos macias me segurando, e antes de desmaiar vi aqueles olhos, de um azul tão intenso, pensei que tivesse morrido.
No outro dia, quando acordei estava deitada em minha cama, cuidadosamente coberta, a janela estava aberta e aporta da casa trancada, não demorou minha mãe chegou em casa e abrindo a porta, queria saber como eu havia entrado “pela janela mãe”, por que definitivamente eu havia entrado pela janela.
Mas quem, e por que estava ali naquele momento?
Aquelas perguntas não saiam mais da minha cabeça dia e noite, de quem afinal eram aqueles olhos?
Eu conhecia todos os homens do bairro por que a maioria queria se candidatar a meu noivo, mas jamais vira olhos tão tristes e tão encantadores, eu precisava descobrir, por que não podia ser por acaso que estava sentindo aquilo naquele momento, era estranho como aqueles olhos me fascinaram.
Eu não tive a coragem de contar para ninguém por que sabia que minha mãe me prenderia em casa e diria que era apenas um pervertido perigoso, e meu noivo, bom ele era tão medroso que diria que era uma assombração. Ele quase não vinha me visitar por que no caminho passava em frente ao cemitério, bem próximo a minha casa, quando eu era pequena gostava de brincar lá, corria entre túmulos e plantava flores, mas agora ele se tornara um lugar perigoso, ponto de encontro de viciados.
Assim começei a minha caçada, atrás de informações, alguém devia conhecer esse homem de olhos azuis, as vizinhas disseram que já haviam visto um homem caminhando nessas ruas a noite, mas que não sabiam de onde ele vinha e nem para onde ia, e cada vez mais o mistério ficava mais assustador, desde aquele dia eu não saira mais sozinha a noite, minha mãe me repreendera por minha rebeldia naquela noite, e me proibia de sair, eu tratava de deixar a janela aberta todas as noites e as vezes sonhava com ele, e o sentia como se estivesse ali.
Os sonhos se tornavam mais quentes, e certa noite acordei suada, e senti um vulto como se algo saísse da janela, sai pela janela atrás procurando, quem ou o que estava me observando, e sentia que estava indo na direção certa, a lua estava cheia, fui chegando perto de um viaduto, estava muito escuro ali, mas eu sentia um vulto agora parado, escutei um som de latas caindo e umas vozes de homens como se estivessem embriagados, nesse momento um braço me puxou para baixo do viaduto no escuro, tentei gritar, mas ele tapou minha boca com as mãos, ficamos assim imóveis, no escuro enquanto os homens passavam gritando e brigando, e eu só conseguia ver naquele escuro aqueles olhos azuis tão claros que brilhavam , alguns segundos depois ele me soltou e ficou sem dizer nada, somente me olhando
-Quem é você?- perguntei rápido me recompondo-
- Você não deveria estar na rua a essa hora, é perigoso- ele disse me afastando dele –
- Foi você que me salvou aquela noite, por que desapareceu?Quem é você?
-Você não gostaria de saber-ele virou de costas como se quisesse sumir na escuridão
- Eu preciso saber, ninguém conhece o senhor, de onde vem? Por que sonho com você? O que esta acontecendo comigo?- ele não respondeu, então me aproximei e segurei seu braço- por favor quem é você?
- Eu sou a escuridão- ele me segurou tão forte que meus pés se ergueram do chão – eu sou o seu medo mais profundo, seu predador, um monstro, e você é apenas carne pra mim.
Consegui empurrá-lo e sai correndo seus olhos estavam, brilhando de um jeito estranho, e suas mãos geladas, só podia ser um psicopata, um maluco, assassino, corri o mais rápido que pude, mas ele sempre estava na minha frente, me segurou firme e ficou me olhando como se estivesse com desejo.
-Por favor, eu não conto a ninguém sobre você, me deixe ir, eu não quis te incomodar,me perdoa...
- Como eu posso te perdoar você é tão linda, e eu estou com tanta fome, todas as noites eu olho para você e vejo tudo o que eu sempre quis tão viva, tão dócil e olha pra mim, um monstro, o que voce vê?
Ele ficou olhando nos meus olhos, tocando meus cabelos, chegava perto da minha boca...
- a muito tempo que não sei o que é amar uma mulher- aproximou seu corpo do meu
Eu gelei, me sentia atraída por ele de uma forma tão grande e diferente, que não conseguia resistir, nos beijamos, e ele foi ficando cada vez mais violento, e se aproximou de meu pescoço, era delicioso o que ele fazia, mas percebi que tinha sangue escorrendo na minha camisola, tentei empurrá-lo, não tinha forças, a única coisa que lembro era de ver de relance ele caminhando de um lado ao outro perto de mim, e mais nada.