segunda-feira, 28 de novembro de 2011

NOITE DE LUA CHEIA, NOITE DOS MORTOS

Eu sempre gostei de admirar a lua, quando esta cheia, sua luz suave e misteriosa, a mesma luz que revelou seu rosto no dia em que o conheci.
Mas essa é um historia de mortos, primeiro ele, depois ela e..
Não me arrependo de nada, mas não gosto de contar essa história, mas no lugar em que estou não me resta mais nada a não ser uma historia para contar.
Fazem 30 anos aproximadamente que minha vida tomou um rumo completamente inesperado.
Eu tinha 17 anos, era uma moça loira, atraente, e com um ar de inocente que encantava qualquer homem, minha mãe uma carinhosa senhora sempre se preocupava com minha honra e com o perigoso fato de sua filha ser tão bonita. Muitas vezes homens vinham espiar pelas janelas da casa, ou deixavam folhes na porta e convites para sair, mas nada, nenhum deles me atraia, não possuía nenhum interesse por nenhum tipo de homem que viesse a minha porta, minha mãe já preocupada queria arrumar-me um casamento. “assim estará protegida”, como ela mesma dizia, eu não havia gostado da idéia, mas infelizmente coisas estranhas estavam acontecendo pelo bairro, mortes estranhas, desaparecimentos, e muitas pessoas adoeciam de doenças misteriosas, casando-me iria morar longe daquele lugar e levar minha mãe comigo.
Depois de muitas propostas, em fim minha mãe escolheu um rapaz, um moço de boa família, trabalhador, que prometeu que cuidaria de mim e dela bem longe dali, ele era educado, um moço bom como todos diziam, mas eu olhava em seus olhos e não via nada, não conseguia sentir nem ao menos gratidão, por que diferente de minha mãe eu gostava daquele lugar, foi ali que cresci ouvindo historias assustadoras de seres da escuridão que dominavam aquela cidade há séculos atrás, que sugavam sangue e roubavam almas, eu achava aquilo facinante, sempre me atraiu ocultismo, e fatos misteriosos, parecia que isso era a única coisa que me fazia sentir um pouco de empolgação ou alegria, ate conhece-lo...
Era uma noite de lua cheia, eu estava na casa de dona Matilde, uma velha senhora que morava na esquina de minha casa, era uma rua escura com poucas casas, minha mãe havia passado mal e tive de leva-la ate lá, por que morávamos somente as duas e eu não tinha conhecimento do que fazer numa situação daquelas, mas dona Matilde tinha a sabedoria da vida e das ervas, preparou um chá e deixou que ela descansa-se la mesmo em sua casa, ela queria que eu ficasse na casa, mas seu neto, Antonio não me agradava, por que varias vezes tentara me beijar a força na escola, e me olhava de um jeito perigoso, decidi que era melhor ir para casa sozinha do que ficar ali com ele.
Já passava da meia noite e a rua estava mais escura do que o normal, apertei o passo, mas escutava um som de passos muito próximo de mim, meu coração disparou, eu queria correr mas estava paralisada de medo, tentava me acalmar pensando que era Antonio que me seguira a pedido da vó, mas nada fazia parar aquele som, olhei para trás, e não havia ninguém apenas a lua me guiando, voltei a caminhar, e os passos voltaram, olhei novamente e tinha a certeza que vi algo se mexendo muito rápido na escuridão, comecei a correr, e chegando na porta de casa, percebi que havia esquecido a chave, nesse instante eu já estava desesperada de medo, por que havia algo ou alguém me seguindo, e eu não tinha como abrir a porta, estava encurralada em minha própria casa, e aqueles sons continuavam a me seguir de todos os lados, a única alternativa possível seria escalar a lateral da casa para entrar pela janela do meu quarto, e foi isso que tentei fazer, mas estava tão apavorada que minhas mãos suavam frio, e meu corpo tremia todo, escorreguei, quando estava quase no segundo andar, senti então mãos macias me segurando, e antes de desmaiar vi aqueles olhos, de um azul tão intenso, pensei que tivesse morrido.
No outro dia, quando acordei estava deitada em minha cama, cuidadosamente coberta, a janela estava aberta e aporta da casa trancada, não demorou minha mãe chegou em casa e abrindo a porta, queria saber como eu havia entrado “pela janela mãe”, por que definitivamente eu havia entrado pela janela.
Mas quem, e por que estava ali naquele momento?
Aquelas perguntas não saiam mais da minha cabeça dia e noite, de quem afinal eram aqueles olhos?
Eu conhecia todos os homens do bairro por que a maioria queria se candidatar a meu noivo, mas jamais vira olhos tão tristes e tão encantadores, eu precisava descobrir, por que não podia ser por acaso que estava sentindo aquilo naquele momento, era estranho como aqueles olhos me fascinaram.
Eu não tive a coragem de contar para ninguém por que sabia que minha mãe me prenderia em casa e diria que era apenas um pervertido perigoso, e meu noivo, bom ele era tão medroso que diria que era uma assombração. Ele quase não vinha me visitar por que no caminho passava em frente ao cemitério, bem próximo a minha casa, quando eu era pequena gostava de brincar lá, corria entre túmulos e plantava flores, mas agora ele se tornara um lugar perigoso, ponto de encontro de viciados.
Assim começei a minha caçada, atrás de informações, alguém devia conhecer esse homem de olhos azuis, as vizinhas disseram que já haviam visto um homem caminhando nessas ruas a noite, mas que não sabiam de onde ele vinha e nem para onde ia, e cada vez mais o mistério ficava mais assustador, desde aquele dia eu não saira mais sozinha a noite, minha mãe me repreendera por minha rebeldia naquela noite, e me proibia de sair, eu tratava de deixar a janela aberta todas as noites e as vezes sonhava com ele, e o sentia como se estivesse ali.
Os sonhos se tornavam mais quentes, e certa noite acordei suada, e senti um vulto como se algo saísse da janela, sai pela janela atrás procurando, quem ou o que estava me observando, e sentia que estava indo na direção certa, a lua estava cheia, fui chegando perto de um viaduto, estava muito escuro ali, mas eu sentia um vulto agora parado, escutei um som de latas caindo e umas vozes de homens como se estivessem embriagados, nesse momento um braço me puxou para baixo do viaduto no escuro, tentei gritar, mas ele tapou minha boca com as mãos, ficamos assim imóveis, no escuro enquanto os homens passavam gritando e brigando, e eu só conseguia ver naquele escuro aqueles olhos azuis tão claros que brilhavam , alguns segundos depois ele me soltou e ficou sem dizer nada, somente me olhando
-Quem é você?- perguntei rápido me recompondo-
- Você não deveria estar na rua a essa hora, é perigoso- ele disse me afastando dele –
- Foi você que me salvou aquela noite, por que desapareceu?Quem é você?
-Você não gostaria de saber-ele virou de costas como se quisesse sumir na escuridão
- Eu preciso saber, ninguém conhece o senhor, de onde vem? Por que sonho com você? O que esta acontecendo comigo?- ele não respondeu, então me aproximei e segurei seu braço- por favor quem é você?
- Eu sou a escuridão- ele me segurou tão forte que meus pés se ergueram do chão – eu sou o seu medo mais profundo, seu predador, um monstro, e você é apenas carne pra mim.
Consegui empurrá-lo e sai correndo seus olhos estavam, brilhando de um jeito estranho, e suas mãos geladas, só podia ser um psicopata, um maluco, assassino, corri o mais rápido que pude, mas ele sempre estava na minha frente, me segurou firme e ficou me olhando como se estivesse com desejo.
-Por favor, eu não conto a ninguém sobre você, me deixe ir, eu não quis te incomodar,me perdoa...
- Como eu posso te perdoar você é tão linda, e eu estou com tanta fome, todas as noites eu olho para você e vejo tudo o que eu sempre quis tão viva, tão dócil e olha pra mim, um monstro, o que voce vê?
Ele ficou olhando nos meus olhos, tocando meus cabelos, chegava perto da minha boca...
- a muito tempo que não sei o que é amar uma mulher- aproximou seu corpo do meu
Eu gelei, me sentia atraída por ele de uma forma tão grande e diferente, que não conseguia resistir, nos beijamos, e ele foi ficando cada vez mais violento, e se aproximou de meu pescoço, era delicioso o que ele fazia, mas percebi que tinha sangue escorrendo na minha camisola, tentei empurrá-lo, não tinha forças, a única coisa que lembro era de ver de relance ele caminhando de um lado ao outro perto de mim, e mais nada.

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