segunda-feira, 28 de novembro de 2011

cap 1 - Primeira noite de lua cheia

Quando acordei, estava num pequeno cômodo, sujo, mal cuidado, onde havia uma cama, uma mesa, e a janela trancada, consegui sentar-me com dificuldade e tentei ver pelas frestas da janela que estava próxima a minha casa, pois via-se o cemitério todo dali. Quando me virei tomei um susto enorme, ele estava na minha frente, e parecia tão surpreso ao ver me em pé.
-Você esta bem? – ele perguntou me olhando bem de perto- Desculpe eu não quis te machucar, você tem que ir embora, eu não posso ficar aqui com você, sua presença me faz mal- ele tocava meus cabelos-
- O que aconteceu? O que você fez?- eu apalpei meu pescoço que estava dolorido, procurei um espelho, ou algo que eu pudesse me ver, nas ali não havia nada- Me diga o que você fez comigo?
-Você precisa ir embora, já esta de noite, devem estar te procurando- ele abriu a porta do quarto e sentou-se numa pequena cozinha, onde não havia fogão, nem geladeira, nada, apenas uma mesa e cadeiras –
- Você mora aqui?- perguntei observando o lugar- Eu não irei embora enquanto não me contar o que esta acontecendo.
- Sera que você é louca?-ele me puxou com força- Não esta percebendo, não sente medo?Não lembra o que aconteceu ontem a noite?
-Eu dormi o dia todo?
-Sim, pensei que não fosse mais acordar, seu pulso estava fraco e tranquei-a aqui para ficar longe de você
-Longe de mim, o que você esta dizendo??-segurei-o pelo braço-
-Longe do seu sangue, longe do seu pescoço, longe da sua boca.
-Mas afinal do que esta falando, você, por acaso você é um vampiro?- sentei-me na cadeira assustada –
-Chame do jeito que quiser, demônio, assassino, chupa sangue, vampiro, ao contrario de outros por aí eu não me orgulho disso não, não busco seduzir mocinhas para mata-las não, não pense assim, eu não escolhi esse destino, mas não consegui deixar de pensar em você desde a primeira vez que a vi.
-Você me salvou aquela noite, não pode ser um monstro.
- a primeira vez que te vi, você deveria ter uns 6 anos de idade, foi quando me mudei para cá, eu já tinha 20 anos de morte, e estava me acostumando a beber sangue de animais, no dia em que cheguei na cidade, vi uma menina loira, olhos doces e inocentes correndo pelo cemitério, me aproximei, eu estava faminto por causa da viagem, e não encontrara nenhum tipo de animal nas redondezas, me aproximei de você desejando seu sangue, então você virou para mim e me estendeu a mão, me convidando para brincar, senti algo estranho, diferente de tudo que já havia sentido por um humano...
-Pena? Você não quis me matar?
-Não era apenas pena, era algo diferente, um brilho em seus olhos, uma aceitação, eu não compreendia na época, mas não consegui machucá-la, pedi para que você fosse embora, mas a partir daquele dia, não consegui esquece-la, você virou a menina dos meus olhos, eu te assisti crescer cada dia mais linda e com aquele mesmo olhar...esse olhar...
Ele se aproximou de mim com aquele seu jeito sedutor e tocou nos meus olhos com carinho, eu sorri, não conseguia não me envolver naquele toque, ele me puxava contra ele como se por séculos não tivesse recebido um abraço.
- mas não posso me aproximar de você, eu te machuquei, eu te mordi, sei o delicioso gosto do seu sangue, e não posso mais te beijar, não posso mais ficar nessa cidade.Você tem que ir para casa.
- Eu não quero ir, em 17 anos eu sempre esperei por viver algo assim, e agora você me manda embora, você não compreende eu não vou conseguir te esquecer, não se encontra um vampiro por ai todo dia.
- Você só pode estar brincando, acha que é brincadeira, acha que sou bonito e sedutor,você não percebe que estou morto, só tenho uma carne morta e sede de sangue, isso é só pele e você tem uma vida inteira pela frente, você é tão linda.
Ele se sentou no canto da sala e ficou ali olhando fixo para mim, eu nada disse por que não sabia mais o que falar, não sabia como lidar com aquela situação, me aproximei dele e sentei ao seu lado sem nenhuma palavra, peguei sua mão gélida, e segurei com firmeza.ficamos assim um tempo, nos olhando.
- O que aconteceu ontem a noite?- perguntei-
- Eu não suportei e te mordi, e ainda não sei como consegui parar, por que quando sentimos o gosto do sangue de um humano ou animal é quase impossível parar, causa um frenesi incontrolável, mas quando te olhei desfalecendo, consegui suportar, achei que fosse tarde de mais que você não ia acordar...
-Mas eu acordei, e você não me fez mal, não tem que se culpar por nada, você mora aqui?
-Bom, esse lugar não é bem o que gostaria de chamar de casa, na verdade eu já fui um homem muito rico, mas a população desconfiava que havia um demônio na cidade matando seus animais, um dia alguém me viu saindo de um seleiro e colocaram fogo na minha mansão, destruíram tudo o que eu tinha.
-E como era antes de ser um vampiro?
-Eu era um homem simples, tinha 22 anos quando fui transformado, minha noiva morreu de doença desconhecida, e eu fiquei sem saber o que fazer de minha vida, então saia cavalgar todos os dias, era a única coisa que me deixa vivo, certo dia meu cavalo assustou-se com algo e parou, quando fui ver o que era, vi um homem abaixado comendo algo de costas, perguntei se ele estava bem, ele virou para mim com a boca cheia de sangue, estava sugando uma criança, eu gritei e tentei fugir, mas ele voou sobre mim, e me mordeu, naquele momento meu pai e alguns empregados bateram nele, ele assustado fugiu, e eu fiquei ali agonizando de dor, fui levado para casa, passei dias sem comer e sem beber nada, ninguém entendia o que estava acontecendo, e nem eu, ele não tinha me mordido o suficiente para me matar, mas o suficiente para transformar-me.
-O que você fez, como soube que era um vampiro?
-Quando comecei a matar, acordei numa noite, e me sentia forte, o mal estar havia passado e só sentia fome muita fome, em minha cabeça ficavam passando cenas de morte, cenas de sangue jorrando, e aquilo era prazeroso, eu sem pensar sabia que minha sede era por sangue, eu estava incontrolável, meu pai levantou para saber se eu estava bem...
Ele parou de falar por alguns segundos, meu coração já disparava.
-...eu matei todos eles, meu pai, meu irmão, minha mãe e alguns empregados, o resto que sobreviveu chamou toda a população e destruíram tudo e me mandaram embora, tentaram me matar, mas nada aconteceu, então eu fugi, e venho fugindo de cidade em cidade durante esses 30 anos de morto, e sei que isso não terá fim, por que se passaram apenas 30 anos e o peso da eternidade já vem amedrontar-me, mas eu não escolhi isso, você entende?
- sim eu entendo, você não é um monstro.
-Não se aproxime, tenho fome, você precisa ir embora, preciso ir atrás de sangue
Ele levantou abriu a porta e foi me empurrando para fora.
- Va, va de uma vez, não seja boba menina você tem a vida inteira pela frente.
-Eu vou, mas você me vera sempre, por que não quero te esquecer
-Vá, de uma vez.
Ele mostrou as presas como um animal tentando me assustar, atravessei o cemitério sozinha, mas tendo a certeza que ele me observava, cheguei em casa, estavam todos preocupados, não sabia o que contar inventei uma historia estranha, que ninguém acreditou, minha mãe imaginou que eu estivesse com um homem, meu noivo também, tanto melhor, ele terminou o noivado, e eu fiquei livre pra lutar por aquele amor tão misterioso e envolvente, e nem ao menos sabia o seu nome, mas eu sabia o que importava: que ele gostava de mim.
A partir daquele dia minha vida mudou completamente, os dias que se passaram foram estranhos, um vazio enorme doía em meu peito, era como se estivesse sufocando por dentro, quando dormia minha cabeça doía muito e via seus olhos em todos os lugares, estive a pensar quem sabe que sua mordida estivesse me transformando, mas achava isso improvável por que dias já haviam se passado, e eu estava relativamente bem, somente nas noites que minha cabeça doía, e eu tinha visões estranhas, como se fossem sonhos, eu o via caminhando nas ruas, bebendo sangue de animais, parecia tão real, como se tivesse uma estranha ligação entre nós.
Fui algumas vezes ate a casa perto do cemitério, mas ele não estava lá, ou escondia-se de mim, diversas vezes me sentar a chorar na porta, de saudades, definitivamente eu estava apaixonada por aquele ser misterioso e de alguma forma confiava nele mesmo quando não deveria confiar.
E eu não sabia nem seu nome, não poderia nem chama-lo, nem gritar para que voltasse, e aquela dor começava a me matar por dentro, todos que me conheciam temiam por minha saúde, eu estava pálida, sem fome, e triste, passav a maior parte do tempo sentada perto do cemitério, algumas vizinhas acreditavam que algum demônio estivesse roubando meu corpo, mas nem desconfiavam que sim, um demônio havia roubado minha alma.
Um mês havia se passado e ele não voltara a me procurar, comecei então na pensar em formas de o trazer de volta, quem sabe correndo perigo ele me salvaria?
E eu tinha razão, numa noite de lua cheia sai de casa pela janela, tirei a roupa na ponte sobre o rio e pulei, era um rio profundo com correnteza forte, eu poderia ter morrido, mas tinha certeza que ele estaria ali, ele me puxou para a margem, eu estava consciente, sorri, ele me abraçou, e olhou meu corpo nu.
- Você é louca?Poderia ter morrido!- ele tirou o casaco para tapar-me-
-Eu sabia que você me salvaria, porque desapareceu, estive te procurando todos os dias, tenho sonhos estranhos todas as noites, eu não consigo ficar sem você, não vou deixar que suma novamente.- tirei o casaco e tentei beija-lo-
-Você esta brincando, é apenas uma menina, não faça isso, não sabe o que esta fazendo! – ele estava tentando me evitar-
- Claro que sei, e não sou mais uma criança, vocês não...namoram?
-Há anos que não toco o corpo de uma mulher nua, é claro que temos desejo, é claro que te desejo, mas e se minha vontade de sangue for maior eu posso mata-la, você é virgem?
-Sim
- Então é impossível, eu sentiria teu cheiro de sangue e te mataria
-Mas você disse que não tem certeza, por que não podemos tentar?-tentei novamente beija-lo-
-gosto disso em você, você tem coragem-
Ele me beijou, foi me tocando devagar, quando não agüentava, se afastava e se acalmava, entramos na água, por que seria melhor, ele sentiria menos o meu cheiro, e nos amamos como dois animais, eu era totalmente dele naquele momento, e ele era meu, e me passava anos e anos de desejo, pois desde que era humano nunca mais havia tocado em uma mulher, e eu queria ser a primeira e a ultima de sua existência.
Foi tudo incrível, seus beijos, seus abraços, sua força, e aquele desejo por meu corpo, aquele seu olhar, eu estava amando. Eu o amava.
E agora?

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